30.5.13

A nota fiscal e a brecha da oposição

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Todos os anos, o IBPT (Instituto Brasileiro do Planejamento Tributário) estabelece a data simbólica em que o brasileiro “para” de pagar impostos e passa a aproveitar realmente os seus ganhos no ano. Em 2013, o dia é neste 1º de junho – e a cada ano chega mais tarde.

Mas soa a um raciocínio simbólico, o cálculo de um índice médio, que não chegaria a ser tão doloroso: no fim, vivemos os cinco meses integralmente pagando nossos impostos em pílulas e nossas vidas não parecem tão afetadas por eles. Seria o exagero habitual, mas talvez indolor. E assim prosseguimos.

Essa aparente tranquilidade, no entanto, deve acabar no dia 10 de junho, quando entra em vigor a lei que obriga toda nota fiscal a detalhar quanto do valor pago vai para os cofres estatais.

Sim, a cada compra que você fizer, a cada serviço contratado (sejam roupas, cortes de cabelo, manicures ou aquela passada no posto de gasolina) você vai saber quanto custa o produto e quanto custa o imposto – e talvez se lembre de que raramente esses impostos retornam como compensações para o bem-estar da população.

Dos 30 países com maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil tem o 12º percentual de impostos sobre o PIB, mas é o que oferece a pior contrapartida, segundo estudo do IBPT divulgado neste ano com dados de desenvolvimento humano da OCDE (Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da ONU.

Assim, o que antes parecia ser uma chiadeira de empresários e de uma classe média que muitos tacham (sem trocadilho) como defensora intransigente de privilégios de classe vai ser um tema para qualquer um que compre arroz (17,24% em impostos), feijão (17,24%), carne (23,99%), pasta de dente (31,37%), caderno (35%) ou gasolina (53%). E talvez aí a oposição a Dilma e o PT encontre a melhor brecha para se aproximar desse eleitor que vota cada vez mais pelo direito de trabalhar e consumir.

Em vez de criticarem o desempenho da indústria sob o PT – pífio, mas imaterial para a maior parte do eleitorado –, os presidenciáveis poderão explicar através de cada cupom fiscal como a voracidade dos impostos mal usados aliada à inflação impedem que o brasileiro consuma mais e se endivide menos. Cada nota se tornará um lembrete cotidiano do emaranhado tributário mal dirigido que, se não foi totalmente criado por Dilma, continua a bater recordes anuais de arrecadação e desperdício sob sua égide.

O desafio maior, porém, é transformar isto efetivamente em agenda de metas, e não apenas em promessa a ser enterrada pelo caríssimo toma-lá-dá-cá das alianças, que incham a máquina com a distribuição de cargos e privilégios.

3 comentários:

NoNô disse...

A intenção do colunista é ótima, mas por mais que e demonstre com provas e fatos todo o caos em que se acha envolvido o Brasileiro desde a malfadada ascensão de Lula com o PT, à Presidência da República, penso que nesses poucos anos eles conseguiram, como os tele Pastores, criar na mente fragilizada de milhões de preguiçosos, através dos programas populistas tirando-lhes qualquer poder de reação criando milhares de desocupados que a última coisa que vão querer é perder esses "benefícios" que ganham do Governo para lutar e, pelo menos recuperar sua dignidade usurpada por esses Malditos que se encontram no poder.

Anônimo disse...

Dilma corta impostos federais sobre itens da cesta básica: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2013/03/dilma-rousseff-corta-impostos-federais-sobre-itens-da-cesta-basica.html

Senador João Capiberibe (PSB-AP) apresentou a proposta no Senado em março de 2012, que faz parte da base aliada do PT.

Portanto, todas as mudanças propostas e implementadas são fruto do Governo, que dizem por aí "mal fadado".

O governo está em sua melhor fase. Graças ao povo brasileiro. Este mesmo povo que um dia recebeu benefícios do governo, como escolas gratuitas e hoje chegou ao poder.

Falar é fácil, quero ver é botar o cuzão na reta.


Anônimo disse...

Dilma corta impostos federais sobre itens da cesta básica: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2013/03/dilma-rousseff-corta-impostos-federais-sobre-itens-da-cesta-basica.html

Senador João Capiberibe (PSB-AP) apresentou a proposta no Senado em março de 2012, que faz parte da base aliada do PT.

Portanto, todas as mudanças propostas e implementadas são fruto do Governo, que dizem por aí "mal fadado".

O governo está em sua melhor fase. Graças ao povo brasileiro. Este mesmo povo que um dia recebeu benefícios do governo, como escolas gratuitas e hoje chegou ao poder.

Falar é fácil, quero ver é botar o cuzão na reta.