A Nobre Farsa |
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Poesia de hoje com cara de ontem. Emoção transformada em fingimento. Sua última chance de se fragilizar.
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Por Márvio dos Anjos
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6.3.05
Mais dois poemas infantis que saíram na Folha de S. Paulo. Prometo pôr em breve coisas mais maduras. Abraços. O dia em que ninguém acordou Estranhou ao perceber Que a manhã chegara sem ninguém despertar. A cidade era um vazio. Nas ruas, nenhum carro, nas praças, nenhum pombo; ninguém quis nada com aquela terça-feira. Passando pelas casas ouviu roncos, assovios e bocejos, repetindo um mesmo sonho ainda no começo. Era um mundo inteiro a babar no travesseiro. Achou aquilo errado e decidiu que não podia voltar pra sua cama. Foi berrar pelos bairros contra o sono e a mesmice, pois daquela chatice não precisa não senhor. E quando todos cochilavam, ele virou despertador pra no mínimo contar que sonhava diferente. Publicado na Folhinha de 5/3/2005 Medo do escuro para Luca Tinha medo do escuro e, sempre ao fim da tarde, apostava corrida com a noite. Atravessava a sala naquele vôo às pressas e aterrissava a salvo nas cobertas. Não queria ver Lua nem contar as estrelas: "Se elas só vêm no escuro, pra que vê-las?!" Até que se deu conta De que bem mais escura Era a noite guardada Nas cobertas. Içou a persiana, e, olhando o céu aberto, passou pela janela uma certeza. Quando perdeu o medo, viu beleza. Publicado na Folhinha de 27/11/2004 |