
O ator Vinícius Romão foi confundido por uma vítima de roubo – a copeira Dalva Moreira da Costa – e só foi libertado depois que seus amigos denunciaram na internet.
Muitos viram racismo no tratamento dado ao ator global, que é negro. Muitos indagaram "se o caso aconteceria com um loiro de classe média". Soa forte, mas é miopia.
Combater o racismo pessoal e institucionalmente é uma preocupação obrigatória numa sociedade em que os passados de escravidão e marginalização explicam muita da pobreza dos negros e do maior abuso policial que sofrem. O que acontece, no entanto, é que a denúncia automatizada desse tema sequestra o debate de problemas que talvez sejam mais fáceis de corrigir objetivamente.
No caso de Romão, a vítima o identificou – de forma errônea. Arrependida, Dalva se retratou na delegacia. Demorou a ir se retratar, porque não tinha o dinheiro da passagem. Livre, Romão não a considerou racista: disse que o engano podia ocorrer a qualquer um.
É verdade. Nos EUA, a Innocence Project, uma ONG dedicada a tirar inocentes de prisões por meio de testes da DNA, concluiu que um em cada três condenados APENAS com base em provas testemunhais foi preso injustamente. A identificação de criminosos por suas vítimas não é das provas mais eficientes, o que não chega a ser uma novidade nos cursos de direito.
Pode ter havido racismo? Talvez, mas jamais o provaremos. Quem foi o racista? Dalva? O investigador? Talvez seja melhor apontar as armas para o que é indubitável.
O indubitável é a negligência da investigação, uma falha no método do inquérito, que não foi além da identificação produzida por uma vítima sob estresse e não se preocupou em proteger um inocente. O que me leva a pensar numa outra situação: talvez Vinícius Romão tenha sido salvo de sua prisão por causa da sombra de racismo que surgiu – o que lhe daria vantagem sobre um branco pobre, caso houvesse um na mesma situação que ele. Mais abaixo você terá exemplos.
O erro é fazer competição de hipóteses, comparações em busca de episódios que sustentem teses, sem admitir que a polícia age burramente de diversas maneiras. A realidade nos dá mil subsídios para acreditar que a polícia é despreparada, mal equipada e negligente, reagindo apenas ao fogo da opinião pública.
Uma rápida pesquisa no Google mostra que tanto negros quanto brancos são vítimas dessas prisões por engano. Se formos usar o critério salarial que o Governo Federal aplica para definir quem é de classe média, aí é que os governistas não poderão reclamar da falta de brancos equivocadamente presos.
Os negros sofrem mais abusos nas mãos da polícia? Inegável. Mas dizer que ser branco é “garantia” de escapar de um erro desses é ver um lado só e afirmar que o sistema policial tem total controle sobre suas negligências. Está longe de ser assim.
Toda solidariedade ao Vinícius Romão e a qualquer um que tenha sido acusado de algo que não cometeu.
Exemplos de brancos em casos de prisões equivocadas.
1. Branco preso em Rondônia. http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2013/04/18/homem-e-preso-por-engano-acusado-de-fraude-no-auxilio-doenca.htm
2. Branco preso no interior de SP. Permaneceu preso mesmo com confissão do criminoso verdadeiro. http://rederecord.r7.com/video/homem-confessa-o-crime-mas-jovem-preso-por-engano-e-condenado-51ff01760cf25a7d43ff838f/
3. Branco preso confundido com seu irmão no Rio. http://videos.r7.com/homem-preso-por-engano-ainda-sofre-com-preconceito-no-rio/idmedia/1a51001adb5f4ed2ffbda969f4b7c282.html