
Centro Integrado de Comando e Controle: nenhum streaming?
Os acontecimentos da quarta, no Leblon, mostram o fim do romance entre a juventude zona sul e a PM do Rio, que surgiu na esteira de “Tropa de Elite” e das UPPs.
E veio pelas mãos de uma nova forma de jornalismo que surgiu com as passeatas: o streaming ao vivo e independente, de canais como PósTV, Mídia Ninja (braço audiovisual criado em SP pelo Fora do Eixo, coletivo político-cultural aliado ao PT, segundo o próprio Rui Falcão, presidente do partido, no "Roda Viva") e outros.
Com câmeras de celular 4G e voluntarismo, transmitiram as cenas que as emissoras de TV – agora alvo dos protestos – só mostravam por helicópteros. Revolucionaram e incentivaram muitos outros a fazerem o mesmo, como autodefesa e como gesto que realmente desafia o lado mais mofado da violência de Estado. Se as forças do Estado são capazes de tantos erros na contenção de manifestações, é de se pensar (e em muitos casos lembrar) o que fazem onde nada se registra.
Conseguiram também o que era o sonho de nove em cada 10 blogueiros bancados pelo PT: provar a obsolescência da mídia estabelecida. Em pelo menos dois aspectos isso está bem claro: a cobertura sem cortes da violência policial e a tradução do que ocorre nas ruas são muito mais ágeis por essas transmissões independentes.
A única saída da PM – se é que há uma – é adotar a mesma arma: filmar e transmitir ao vivo na web suas ações, no asfalto ou no morro, sem medo da transparência, no mínimo para comparar as versões. Não adianta postar no YouTube apenas alguns vídeos editados, se a polícia é justamente o lado que está sob suspeita.
Se são os “vândalos” que iniciam os combates, que isso seja demonstrado, para que as imagens da violência não sejam capitalizadas pelo lado que talvez a provoque mirando maior cacife político contra quem comanda as polícias.
Se meninos podem fazer isso, o Centro Integrado de Comando e Controle, aberto em maio, também pode. Se não puderem – já que se recusam até a manter as identificações nas lapelas antes as câmeras independentes– é porque ficou claro que o modelo militarizado da polícia chegou a um beco sem saída.
Em tempo: não pode o governador Cabral dizer que seus rivais querem “antecipar o calendário eleitoral”, se ele mesmo cogitou de renunciar para agilizar a reeleição de Pezão, que confirmou isto em outubro de 2012 ao jornal “Extra”. Horas depois, sua PM pediu ajuda justamente a um desses rivais, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Como fica?