A Nobre Farsa

Poesia de hoje com cara de ontem. Emoção transformada em fingimento. Sua última chance de se fragilizar.

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Por Márvio dos Anjos

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9.1.04
 
Completude

A música vigora do contrato
Entre o homem e o Silêncio.
Mais do que som ausente,
As pausas são empréstimos
Daquilo que se ouvia
No prelúdio do Gênesis,
Nos ensaios da Criação
De um universo em estéreo.

Da musical quietude se coleta
Que também o homem se compõe
Do que tem e do que perde.

Cada tijolo não cimentado
É parte constante da obra.
Cada rumo preterido
Está no mapa de um percurso.

Nada, enfim, mais incompleto
Do que um homem sem perdas.