A Nobre Farsa |
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Poesia de hoje com cara de ontem. Emoção transformada em fingimento. Sua última chance de se fragilizar.
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Por Márvio dos Anjos
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23.6.03
Último dia de uma volta para casa (Rio, 23/06/2003) Eram 3h20 da manhã e eu estava na Fonte da Saudade quando a vida perdeu o sentido. Diante da Lagoa, aos pés do Céu, Eu sentia a dolorosa falta do que tinha ali, À minha frente. Eu me encantava com tudo aquilo E tudo aquilo parecia me chamar de forasteiro. Amanhã, devo ir. A brisa salitrada da Lagoa soprava-me o adeus. Meus olhos, como os de um turista, Queriam carregar essa lembrança para uma distante casa, Fosse onde fosse. E eu chorei com medo De um dia não ter mais o Rio em mim. Eram 3h20 da manhã; Já era tarde pra falar de amor. 19.6.03
Constatação No decorrer da vida, em cada hora Do dia, não te deixes esquecer Que estás sós, que assim hás de viver E que ninguém olha por ti lá fora. Não te enganes; ao teu redor agora Estão só solidões e -como vou dizer?- As companhias que te dão prazer Daqui a pouco devem ir embora. |