A Nobre Farsa

Poesia de hoje com cara de ontem. Emoção transformada em fingimento. Sua última chance de se fragilizar.

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Por Márvio dos Anjos

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21.1.02
 
Soneto, depois de tanta conversa fora

Beethoven morreu surdo. Uma ironia,
Se virmos que, em seus últimos dez anos,
Não mais podia ouvir-se nos pianos
Que ressoavam sua maestria.

Ainda mais irônico, eu diria,
É pensar que a surdez lhe trouxe danos,
Fúrias e depressões e desenganos
Sem lhe negar a Nona Sinfonia.

E pode-se dizer que, até a morte,
O gênio pôde, sim, gozar a sorte
De ouvir Beethoven só, e nada mais.

Uma bênção, sem dúvida nenhuma,
Enquanto eu, que não sou de porra alguma,
Nem posso ensurdecer pra alguns boçais.


7.1.02
 
A Nobre Farsa no Jardim Botânico

Nesta terça-feira, 8 de janeiro, vou declamar poemas no projeto PONTE DE VERSOS às 20h30. Além de mim, também declamarão os poetas Braulio Tavares e Sandra Fernandes. Todos os leitores da Nobre Farsa serão bem-vindos.

Livraria Ponte de Tábuas
R. Jardim Botânico, 585
(à altura da Rua J.J. Seabra)
Jardim Botânico - RJ
organizadores: Thereza Christina Motta, Ricardo Ruiz, Gilson Maurity